Wall Street não quer pagar um ‘stock tax’. Essa brasileira concorda

Wall Street não quer pagar um ‘stock tax’. Essa brasileira concorda


NOVA YORK – Um projeto de lei em tramitação no State Legislature de Nova York cria a chamada “Stock Transfer Tax” – um imposto de cinco centavos a cada US$ 100 transacionados em ações, com teto de US$ 350 por transação.

A proposta – que tem aterrorizado Wall Street — vai ser votada até junho, quando termina o atual ano legislativo.

Se aprovado, o imposto traria estimados US$ 13 bilhões em renda adicional para a cidade a cada ano – dinheiro que financiaria iniciativas de infraestrutura, água, transporte público, moradia popular e educação superior. Segundo os proponentes da lei, nenhuma outra iniciativa arrecada cifras deste porte, exceção feita a um aumento de impostos pelo estado.

A proposta tem apelo popular, mas nem todo mundo é a favor. Na lista de oponentes está a brasileira Danyela Egorov, que prepara sua campanha para o Senado estadual para representar o distrito 29, um dos 63 do estado.

“Concordo que Wall Street precisa ser regulado, principalmente na questão de inside information e corrupção. Mas não desta forma”, Danyela disse ao Brazil Journal. Ela disputa o cargo na chapa democrata com três concorrentes do mesmo distrito, que cobre a parte sul de Manhattan e inclui o Financial District.

O orçamento anual do estado de Nova York é de US$ 212 bilhões, vindos do governo federal, estadual, da receita da cidade e também de Wall Street. São os senadores em Albany, a capital do estado, que decidem como o dinheiro é gasto.

“Nova York não precisa de mais dinheiro, mas de melhor uso desta verba. Hoje, a cidade gasta US$ 3,5 bilhões por ano para lidar com a questão dos sem-teto. E em 2022 serão gastos US$ 40 mil por aluno da escola pública. Isso é mais do que a maioria das escolas particulares do país. Ambos são assuntos prioritários, mas a alocação do dinheiro precisa ser revista,” diz Danyela, que vive em TriBeCa com dois filhos pequenos e o marido, um profissional do mercado financeiro nascido na Ucrânia.

“Há o temor de que, se a lei seja aprovada, os trades passarão a ser feitos em Connecticut ou New Jersey. Inclusive, muitos computadores já foram alocados para lá dado o custo de aluguel em Manhattan. Essa regulamentação vai levar empregos e investimentos para outros estados,” diz ela.

Danyela diz que sua plataforma prioriza a segurança em resposta ao aumento da criminalidade, que disparou durante a pandemia, principalmente no metrô. A outra prioridade é a melhoria das escolas. “Estes dois quesitos são uma pré-condição para revigorar o desenvolvimento econômico. Enquanto houver receio de pegar metrô à noite, Nova York não vai reaver o turismo ou devolver os profissionais aos escritórios,” explica ela.

Ano passado, Danyela foi eleita vice-presidente do School Board de Manhattan. Foi lá que ela recebeu o incentivo para sua candidatura, ao discordar de políticos locais que não flexibilizaram a exigência do uso de máscaras em séries de alfabetização.

Danyela se apaixonou pela Educação ao cursar Políticas Públicas em Harvard com uma bolsa da Fundação Estudar. Nascida em Bauru e formada pela FGV em São Paulo, ela chegou em Nova York em 2003 para trabalhar com Leona Forman, que na época plantava a semente da Brazil Foundation.

Ao deixar Harvard, Danyela trabalhou no sistema de escolas públicas de Boston, e em seguida mudou-se para o Vale do Silício, onde ingressou no universo das escolas charters: escolas públicas que recebem recursos públicos, mas são administradas independentemente do governo, sem sindicatos. De volta a Nova York há sete anos, em 2020 ela co-fundou uma escola nesses moldes no Brooklyn.

Para se candidatar como representante de um distrito, é necessário ser cidadão americano, ter morado no estado de Nova York nos últimos cinco anos e residir no distrito a ser representado por pelo menos um ano.

Danyela já coletou as mil assinaturas de residentes locais democratas. A homologação da candidatura se dará em meados do mês.

As primárias acontecem em 28 de junho e, em novembro, o vencedor enfrenta o candidato republicano — se é que essa pessoa existe em Nova York. Se eleita, Danyela terá de passar pelo menos três dias da semana em Albany, durante cinco meses do ano. Este é o período em que ocorre a de aprovação de orçamento e de leis.

“Não imaginava ter essa oportunidade sendo imigrante e falando inglês com sotaque. Mas essa é a beleza dos EUA e de Nova York,” ela disse ao Brazil Journal.





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