Votorantim e CPPIB criam empresa para investir na transição energética

Votorantim e CPPIB criam empresa para investir na transição energética


O Grupo Votorantim e o CPP Investments estão criando uma nova empresa para investir na transição energética, um setor que deve demandar R$ 220 bilhões por ano em investimentos – só no Brasil.

A nova companhia – batizada de Floen – será liderada por Raphaella Gomes, que até recentemente era a head do negócio de biogás na Raízen e liderou a criação do negócio de etanol de segunda geração.

João SchmidtA joint venture será dividida 50/50 entre os dois acionistas.  

O plano da Floen é investir em empresas com um perfil de growth – ou seja, que já tenham tecnologias comprovadas e estejam prontas para escalar. A companhia vai olhar oportunidades nos segmentos de novos combustíveis, como biometano e biometanol; novas fontes de energia, como hidrogênio verde; e novos produtos e materiais, como biofertilizantes. 

O CEO da Votorantim, João Schmidt, disse que a Floen não vai investir em geração solar e eólica porque esses investimentos já estão sendo feitos pela Auren, a geradora de energia que também é controlada pelo Votorantim e CPPIB. 

“Poderíamos investir em transição energética por qualquer uma das empresas do nosso portfólio. É um tema que todas tocam. Mas com um veículo dedicado apenas para esse tema conseguimos dar muito mais potência e relevância para isso,” Schmidt disse ao Brazil Journal.

Os investimentos da Floen devem ser minoritários e focados no Brasil, mas a empresa terá flexibilidade para comprar o controle das empresas no futuro e alocar capital em outros países.

Raphaella disse que a Floen não tem a abordagem de um fundo de investimentos. “Vamos entrar nas empresas com visão de longuíssimo prazo, sem intenção de sair ou de ficar girando o portfólio,” disse ela. “Obviamente queremos e teremos que gerar dividendos para os acionistas, mas vamos criar uma plataforma com ativos complementares, em que a somatória de 1+1 não dê 2, mas 4.”

Segundo ela, a Floen terá uma visão de ecossistema, aproveitando as contribuições respectivas dos dois sócios. “A Votorantim, por exemplo, é um grupo empresarial de alta demanda energética e necessidade de descarbonização. Então ela é uma empresa onde as companhias da Floen vão poder testar seus conceitos.”

A Floen começou a operar há dois meses, mas ainda não fez seu primeiro investimento. Segundo a CEO, há 17 projetos em fase de negociações. 

Para o CPPIB, a Floen é mais um investimento num tema central no portfólio do fundo de pensão canadense. O fundo tem US$ 50 bilhões investidos globalmente em empresas ligadas ao tema. O AUM total do fundo é de US$ 364 bilhões. 

“Temos investimentos de todo tipo, prazo e estrutura de capital nesses ativos, mas a maior parte está no exterior, tínhamos pouco no Brasil,” disse Ricardo Szlejf, o head de infraestrutura do CPPIB na América Latina. 

Segundo ele, o objetivo do fundo é dobrar o capital alocado globalmente em transição energética para US$ 100 bilhões até 2030.

A criação da Floen vem num momento em que a transição energética domina a agenda geopolítica global, basicamente pelas metas de descarbonização de países e empresas e a disrupção causada pela invasão da Ucrânia nos mercados de energia.

No ano passado, foram investidos US$ 1,1 trilhão em energias renováveis no mundo – a primeira vez que o investimento em renováveis superou o dos combustíveis fósseis e a marca de US$ 1 tri.

Para o mundo atingir a meta de net zero emissions até 2050, esse investimento teria que triplicar, segundo um relatório da IEA, a Agência Internacional de Energia. Só no Brasil, o investimento teria que somar R$ 220 bilhões por ano. 

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