Unipar sente a queda do PVC – mas bate recorde de receita

Unipar sente a queda do PVC – mas bate recorde de receita


A Unipar reportou um quarto trimestre com queda em seus principais indicadores – um reflexo direto do ciclo de baixa no mercado de PVC e de uma base de comparação forte do ano passado. 

Receita, EBITDA e lucro caíram, tanto na comparação anual quanto na trimestral – com o preço do PVC sob pressão e os custos das matérias-primas pressionando a rentabilidade da petroquímica. 

A receita líquida foi de R$ 1,4 bilhão, uma queda de 26% na comparação com o terceiro trimestre e de 28% ano contra ano. O EBITDA veio em R$ 281 milhões, despencando 56% em relação ao trimestre anterior e 75% na comparação anual. Já o lucro líquido ficou em R$ 148 milhões, caindo 25% na comparação trimestral e 78% na comparação anual. 

“Achávamos que 2022 seria um ano de retomada, mas logo no início teve a guerra na Ucrânia, que quebrou as cadeias de fornecimento,” o CEO Maurício Russomanno disse ao Brazil Journal. “A inflação subiu em todo o mundo, e depois teve o aumento dos juros, que gerou uma desaceleração grande na construção civil.” 

Essa desaceleração acertou em cheio o preço do PVC, que é usado principalmente para fazer tubos e conexões. O preço do produto foi caindo gradativamente ao longo do ano por conta dessa redução brutal da demanda. 

Já a soda cáustica – o outro carro-chefe da empresa – teve alta no preço, mas não o suficiente para compensar as perdas com o PVC. O preço da soda subiu basicamente por uma redução na oferta: como ela é produzida no mesmo processo químico que faz o cloro (que por sua vez é usado para fazer PVC), a redução da demanda por PVC fez algumas fábricas na Europa diminuírem a produção, afetando as duas substâncias. 

“A boa notícia é que mesmo com esse cenário extremamente adverso a gente conseguiu entregar [no consolidado do ano] a maior receita líquida e o maior EBITDA da história da Unipar,” disse o CEO.

No ano, a Unipar teve receita líquida de R$ 7,3 bilhões, EBITDA de R$ 2,6 bilhões e lucro líquido de R$ 1,3 bi. Cada uma dessas métricas avançou cerca de 15% em comparação a 2021.

Maurício explica que isso foi possível porque a empresa buscou acessar novos clientes – com a entrada mais forte em novas geografias – e vendeu seu PVC para outras aplicações além da construção civil.

“Começamos a vender mais para a indústria farmacêutica e para a indústria de moda, por exemplo. Além disso, ganhamos share na América do Sul, Europa e Ásia.”

Outro fator que contribuiu foi o ganho de eficiência das fábricas, resultado de investimentos em modernização e tecnologia. As três fábricas da Unipar – em Santo André, Cubatão e Bahia Blanca, na Argentina – tiveram um nível de utilização de 84% no consolidado do ano, uma alta de 6 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em 2019, a utilização foi de 71%, e em 2020, de 76%. 

Mesmo com o cenário adverso – que deve continuar ao longo do ano – o CEO disse que a Unipar continua com seu plano de expansão, com o objetivo de dobrar de tamanho em dez anos. Ano passado, a companhia anunciou a construção de uma nova fábrica de cloro e soda em Camaçari, que deve ficar pronta em 18 meses. Ela também está expandindo a capacidade da planta de Santo André em 15% e concluindo a construção de dois parques solares.

“Também estamos avaliando novos projetos para fábricas greenfield em novas geografias, além de potenciais M&As.” 

A companhia tem balanço para isso. No final do quarto tri, a Unipar estava com um caixa bruto de R$ 1,4 bilhão para uma dívida bruta de R$ 1,3 bilhão. 

“Temos um bom espaço para alavancar mais a empresa se aparecerem boas oportunidades,” disse ele. 

A companhia também anunciou o pagamento de mais R$ 194 milhões em dividendos adicionais referentes a 2022, elevando o total pago aos acionistas no ano para perto de R$ 1,3 bilhão – um dividend yield de 15% no preço de hoje. 

A Unipar vale R$ 8,3 bilhões na B3. 




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