Três bancos cortam Hapvida; integração “mais difícil do que parecia no Excel”

Três bancos cortam Hapvida; integração “mais difícil do que parecia no Excel”



Depois do JP Morgan cortar sua recomendação para a Hapvida na sexta-feira, Bank of America e Bradesco BBI seguiram o mesmo caminho hoje.

Os dois bancos publicaram relatórios rebaixando a operadora de saúde para ‘neutro’ em meio a uma deterioração dos resultados nos últimos trimestres — com uma alta expressiva do medical loss ratio (MLR), o indicador que mede a sinistralidade da companhia. 

Para um gestor, os três downgrades seguidos mostram uma desconfiança muito grande do sellside com a empresa. 

“Era um papel que até pouco tempo era um queridinho do mercado e agora ninguém mais quer ter recomendação,” disse ele. “Os fundamentos continuam iguais, o que parece é que ninguém confia mais no que a empresa diz sobre o curto prazo.”

A ação cai mais de 7% hoje depois dos downgrades, com o papel saindo a R$ 4,38. A empresa agora vale R$ 31 bilhões na B3.

O BofA rebaixou a empresa de compra para ‘neutro’ e reduziu o preço-alvo de R$ 10 para R$ 6, um upside potencial de 33%.

O banco argumenta que “o mercado quer acreditar na tese da empresa, mas que os sinais são negativos.”

“Os resultados estão deteriorando significativamente desde o M&A com a Intermédica e acreditamos que a companhia está passando por mudanças estruturais, especialmente em termos de MLR,” escreveu o time liderado por Fred Mendes.

O BofA disse que já considera uma melhora de 300 basis points no MLR em 2023, apesar da falta de visibilidade.

“No entanto, vemos a Hapvida negociando a 29x e 16x o lucro estimado para o ano que vem e para 2024, respectivamente, o que achamos excessivo,” escreveu Mendes. “Continuamos acreditando na força do modelo verticalizado (de baixo custo) para o longo prazo, mas a recomendação neutra reflete melhor os riscos de curto e médio prazo.”

O downgrade do BofA vem apenas seis meses depois do banco ter elevado sua recomendação para a companhia para ‘compra’. 

“O MLR médio do setor está no pico, já que os preços não foram ajustados no mesmo nível que os custos em 2020 e 2021,” diz o relatório. “Nossa tese é que apesar do MLR alto, os operadores devem preferir proteger sua base (como aconteceu em 2022) em vez de reajustar preços de forma significativa.”

O Bradesco BBI também rebaixou sua recomendação de ‘compra’ para ‘neutro’, reduzindo o preço-alvo de R$ 9,50 para R$ 6,50. 

O banco disse que está com uma visão “mais cautelosa” para as margens depois do resultado do terceiro tri, no qual a companhia sinalizou para um MLR maior que o previsto em 2023. 

O valuation de curto prazo também está elevado, na visão do Bradesco, com a Hapvida negociando a 32x seu lucro estimado para o ano que vem. 

O banco disse que cortou sua estimativa para o EBITDA e lucro líquido de 2023 em 18% (para R$ 3,65 bilhões) e em 40% (para R$ 965 milhões), em grande parte por um MLR e despesas financeiras maiores. 

O BofA também notou que a integração da Intermédica “é mais difícil do que parecia no Excel.”

Segundo eles, a transação foi anunciada em março de 2021 e concluída em fevereiro de 2022. De lá para cá, a ação da Hapvida caiu 70% e 60%, respectivamente. 

O BofA vê outros desafios adicionais, incluindo o turnover na diretoria, a integração de outros M&As menores, a mudança de uma gestão regional para uma gestão nacional, e a implementação da cultura Hapvida em toda a empresa. 



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