Remédios em supermercados e novo salário mínimo: o risco para as farmácias

Remédios em supermercados e novo salário mínimo: o risco para as farmácias


Dois projetos de lei em tramitação no Congresso estão deixando os investidores do setor de farmácias aflitos.

Um deles, o PL 1.559/21, quer aumentar o salário mínimo para os farmacêuticos, enquanto o outro, o PL 1.774/19, libera a venda de medicamentos sem prescrição dentro de supermercados e hipermercados. 

Numa leitura superficial, os dois projetos parecem ter potencial para prejudicar significativamente as drogarias – afinal, mais concorrência e aumento de custos nunca são uma boa notícia para os negócios.

Mas para o Itaú BBA, as coisas não são bem assim. 

Os analistas do banco acreditam que a chance dos dois projetos serem aprovados é muito baixa – e que, se forem, o impacto não deve ser tão relevante assim, especialmente a liberação de venda de remédios em supermercados.

“Essa é uma discussão que aparece todos os anos desde pelo menos 2013,” escreveram os analistas. “Mas continuamos acreditando que essa é uma situação de baixo risco para as redes de farmácias que cobrimos.” 

Segundo o banco, as vendas de medicamentos sem prescrição representam entre 10% a 15% das vendas das farmácias – e a maioria das compras desse tipo de produto é feita por impulso quando o cliente já está dentro da loja, o que não deve mudar com as vendas em supermercados.

O Itaú também nota que boa parte dos grandes supermercadistas já têm farmácias acopladas a suas operações – o que fará a adesão à venda desses produto dentro das lojas ser baixa. 

Ao mesmo tempo, os pequenos varejistas também devem pensar duas vezes antes de entrar nesse mercado, já que as exigências sanitárias trariam custos e complicações maiores para a operação. 

Já o aumento do salário mínimo dos farmacêuticos pode gerar um impacto maior, mas que também não deve ser algo preocupante, na visão do Itaú. 

O PL em discussão quer aprovar uma renda mínima de R$ 6,5 mil para os farmacêuticos, o que representaria um aumento de até 50% nos custos com pessoal das farmácias – que hoje representam entre 3% a 5% do faturamento das lojas.

Apesar do impacto nas margens no curto prazo, o Itaú lembra que esse aumento de custos impactaria muito mais as redes menores, que são menos eficientes e não tem tantas condições de repassar esse aumento para os preços. 

Em outras palavras: a medida acabaria levando a uma maior concentração de mercado, beneficiando as grandes redes listadas.




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