Randon compra a Hercules para fazer reboques nos EUA

Randon compra a Hercules para fazer reboques nos EUA


Em busca de mais receita em moeda forte, a Randon decidiu pagar US$ 39,5 milhões pela empresa americana de reboques e semirreboques Hercules Enterprises, com sede em New Jersey.

Trata-se da primeira incursão da gigante industrial de Caxias do Sul na produção de seu principal produto nos Estados Unidos, o país que já é um dos seus maiores destinos de exportação.

O negócio não precisa de aprovação dos órgãos antitruste. A operação está sendo feita por meio da subsidiária da Randon nos Estados Unidos, a Randon Holdco, e o valor final pode mudar dependendo da variação do capital de giro e do earnout. 

A aquisição deve ser finalizada em até quatro meses.

O negócio acontece num momento em que a Randon viu sua receita originada nos Estados Unidos subir 37% em um ano, com o faturamento do mercado americano chegando a US$ 25,7 milhões no primeiro trimestre. Porém, dada a alta mais acelerada das vendas para os países do Mercosul e o Chile, os EUA perderam participação de 2 pontos percentuais dentro das exportações da Randon.

Dentro da Randon, a compra da Hercules é vista como um marco por ser a primeira grande incursão de um dos seus principais produtos (e que originou a própria empresa) em um mercado maduro. 

“É um marco pois é a entrada no mercado americano da nossa ‘empresa mãe’,” o CEO Sérgio Carvalho disse ao Brazil Journal. Além disso, “o mercado de reboques e semirreboques está praticamente inteiro acima da linha do Equador.”

Apesar dos reboques e semi-reboques serem produtos mais commoditizados, o executivo enxerga que é o primeiro passo da Randon para levar e produzir produtos de maior valor agregado nos EUA. A ordem dentro da empresa é conseguir mais receita em moeda forte e aumentar a resiliência do negócio.

Uma das maiores preocupações da Randon é exatamente com a moeda. Apesar da desvalorização recente do real frente ao dólar, a companhia enxerga que a moeda brasileira voltará a se fortalecer, o que pode afetar a competitividade da empresa e, consequentemente, as exportações.

No primeiro trimestre, por exemplo – com o dólar ficando abaixo de R$ 5 em alguns momentos – as exportações de caminhões caíram 22,4% em relação ao tri anterior, com a falta de componentes também atrapalhando os resultados.

Por isso, produzir localmente se tornou tão importante para a Randon quanto continuar crescendo no mercado americano – ainda mais em um momento em que uma recessão se desenha. Nos EUA, a empresa já atua por meio da Fras-le, sua fabricante de autopeças como lonas e pastilhas de freio, além da Auttom, que atua em automação e robótica.

Para completar, existe uma janela de oportunidade com a sobretaxa de 250% colocada pelo governo americano para as empresas chinesas, que dominavam o mercado.

Não à toa, a Randon está estudando fazer novos M&As nos Estados Unidos e em outros países do hemisfério norte. 

“Nossa intenção é continuar priorizando a parte internacional, mas isso não quer dizer que não vamos investir mais no Brasil. Crescemos a taxas muito substanciais nos últimos cinco anos e temos que seguir com esse crescimento acelerado”, disse Carvalho.

A Randon está capitalizada após uma emissão de debêntures de R$ 500 milhões em fevereiro, além de ter feito follow-on de R$ 629 milhões da Fras-le – em que a Randon colocou a maior parte dos recursos.  

Depois de iniciar o dia em alta, as ações da Randon operam perto da estabilidade nesta sexta-feira. 






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