Por que o Itaú está comprando a Avenue

Por que o Itaú está comprando a Avenue


O Itaú está comprando o controle da Avenue numa transação que posiciona o maior banco privado da América Latina num mercado ainda incipiente mas que, segundo o banco, pode “facilmente” multiplicar por 10x nos próximos anos. 

A transação – a segunda do CEO Milton Maluhy, depois da compra da corretora Ideal em janeiro – está sendo dividida em três etapas.

Na primeira, o Itaú está comprando 35% da Avenue por R$ 493 milhões, avaliando a plataforma de investimentos no exterior em R$ 1,25 bilhão (pre-money). 

A maior parte desse valor será numa transação secundária que dará saída parcial a todos os investidores, mas o Itaú também está injetando R$ 160 milhões no caixa da Avenue. 

Na segunda etapa, o Itaú vai comprar outros 15,1% da Avenue ao final de dois anos, assumindo o controle da companhia. O valuation será um múltiplo da receita ajustada da Avenue. 

A transação inclui ainda uma opção de compra de 100% do capital da Avenue que poderá ser exercida em cinco anos a um valuation de fluxo de caixa descontado. Caso o Itaú não queria exercer essa call, a Avenue tem a opção de fazer um IPO se os executivos atingirem métricas operacionais e de volume financeiro pré-determinadas.

A aquisição vem depois de cinco meses de negociação entre as duas empresas – e num momento em que bancos e corretoras têm começado a entrar no mercado de investimentos no exterior. 

O Inter lançou sua corretora internacional em agosto passado. A XP anunciou sua plataforma internacional há três meses e está fazendo gradativamente o rollout para sua base. 

“Esse deal cria um novo capítulo na competição e oferta de produtos financeiros no exterior,” disse Roberto Lee, o fundador da Avenue. “Ele força toda a indústria a se conectar a esse mercado. Todas as operações vão ter que ter acesso a produtos robustos no exterior.”

Fundada há cinco anos por Lee – que também fundou e vendeu a Clear e a WinTrade, vendidas à XP e à Brasil Plural – a Avenue é hoje o maior player desse mercado no Brasil. 

A fintech tem 493 mil contas abertas, das quais 229 mil são ativas, e cerca de R$ 6,4 bilhões em custódia. Segundo Lee, a empresa ainda queima caixa, mas está bem perto do breakeven.

“Esperamos ter um unit economics muito robusto já no curto prazo, mas [a Avenue] é uma empresa em crescimento que vai demandar muito investimento, não só em aquisição de clientes mas em toda a parte de infraestrutura,” disse o fundador.

Para o Itaú, a transação é uma forma de se posicionar num mercado que o banco acredita que vai se tornar cada vez mais relevante para os clientes brasileiros. 

Carlos Constantini, o head do wealth management do banco e o responsável por arquitetar a transação, disse que é difícil prever qual será a penetração dos investimentos internacionais na base de clientes de varejo do Itaú, mas que a experiência com o Private pode ser uma proxy.

“No Private [onde o Itaú já tem uma plataforma de investimentos internacionais com US$ 31 bi em ativos], vimos um aumento gradual e paulatino da exposição dos clientes a ativos internacionais, que chegou hoje a 25% do portfólio, em média,” disse ele. “Não acho que no varejo o nível de diversificação vai ser tão grande, mas o potencial é enorme.”

Segundo ele, o mercado de investimentos no exterior pode “facilmente” multiplicar por 10 nos próximos anos. 

Enquanto as aprovações da transação ainda não saem, a integração da plataforma da Avenue com o app do Itaú e o íon será basicamente por meio de um referral – com o banco indicando clientes para o app da Avenue.

“Depois desse período temos a expectativa de que as ofertas sejam integradas, que os investimentos na Avenue apareçam no íon, que a gente tenha o logo da Avenue dentro do nosso app – uma integração bem mais completa.”




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