Por que a Nutrien pagou R$ 1,5 bilhão pela Casa do Adubo

Por que a Nutrien pagou R$ 1,5 bilhão pela Casa do Adubo


A canadense Nutrien anunciou esta semana a compra da concorrente brasileira Casa do Adubo. O valor da operação não foi revelado, mas fontes disseram ao Brazil Journal que o negócio foi fechado por R$ 1,5 bilhão.

A aquisição catapulta a multinacional para a terceira posição do setor no Brasil, atrás da Lavoro e Agrogalaxy. Esse foi o maior cheque já assinado em um M&A do varejo agrícola até o momento.

Com o negócio, a Nutrien espera ter uma receita de R$ 5,5 bilhões no Brasil, com um market share de 3,5% do varejo agrícola. A operação desbanca da terceira colocação a 3tentos, que faturou R$ 5,4 bilhões ano passado, com uma participação de mercado da ordem de 3,4%.

A liderança do varejo agrícola é ocupada pela Lavoro, que detém pouco mais de 4,5% de um mercado que movimenta R$ 160 bilhões no País. A Agrogalaxy tem share de 4,1%.

A venda da Casa do Adubo era algo que vinha sendo desenhado ao longo dos últimos 10 anos. Quando Raphael Covre trocou a Faria Lima e voltou para Cariacica (ES) para tocar o negócio da família, em 2012, após o falecimento do tio, ele já levou junto a ideia de um M&A.

Quarta geração da família à frente da Casa do Adubo, Covre já sabia do interesse do mercado financeiro no varejo agrícola e aproveitou para organizar a governança da empresa. Em 2018, trouxe o fundo de private equity Axxon como acionista minoritário e acelerou o crescimento da empresa.

Sob sua gestão, a companhia saiu de um faturamento de R$ 150 milhões em 2011 para os R$ 2,5 bilhões que devem ser alcançados neste ano. 

“De certa forma, a venda antecipa a saída do Axxon que estava prevista para 2024”, Covre disse ao Brazil Journal. O empresário completou 39 anos na última sexta-feira e se transformou no mais novo bilionário do agronegócio.

Para a Nutrien, a Casa do Adubo representa uma expansão geográfica e o acesso a produtores de pequeno porte, segmento onde a companhia não atuava, além da entrada em outras culturas agrícolas. 

“Essa foi a sétima aquisição que fizemos desde 2019 e confirma nosso objetivo de sermos uma plataforma nacional. Operávamos em cinco estados e com a aquisição vamos atuar em 13,” disse Carlos Britto, o diretor de operações de varejo da Nutrien para América Latina.

A Nutrien nasceu em 2016 a partir da fusão entre as canadenses Agrium, uma das maiores varejistas agrícolas da América do Norte, e a Potash, gigante produtora de potássio, nitrogênio e fosfato. No Brasil, herdou as operações da Agrium, que em 2012 havia comprado a Utilfértil. Em 2018, pisou no acelerador ao adquirir a paulista Agrichem, de Ribeirão Preto.

Depois disso veio a compra de registros de mais de 100 defensivos da BRA Agroquímica, em 2019, e da Tec Agro a Agrosema, em 2020. No ano passado, foram adquiridas a Bio Rural e a Terra Nova. No mês passado a empresa anunciou a aquisição da Agro Mercantil e, agora, a Casa do Adubo.






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