‘Pelos filhos dos outros’. Buscando a cura para o câncer cerebral infantil

‘Pelos filhos dos outros’.  Buscando a cura para o câncer cerebral infantil


O meduloblastoma é um tumor invasivo que ocorre no sistema nervoso central. Apesar de raro, ocorre com maior incidência em crianças e jovens, e é o tipo mais comum de câncer cerebral infantil.

A cada ano, 30 mil crianças são diagnosticadas com essa doença em todo o mundo. Entre elas, 10 mil terão recidiva após o tratamento convencional, que envolve cirurgia, radioterapia e químio. Dessas, 5% não viverão por muito tempo e, entre os que sobrevivem, é grande a chance de sequelas graves. 

Dado este quadro, pode-se imaginar a apreensão e ansiedade que tomaram conta do empresário gaúcho Fernando Goldsztein, um membro do conselho da Cyrela, quando, em 2015, recebeu a notícia de que seu filho, então com 9 anos, tinha esse tumor. 

Além de tudo, trata-se de um tumor ainda muito pouco estudado, e cujo tratamento evoluiu pouco nos últimos anos. 

Fernando não teve dúvida: levou o menino para os EUA.

“Tive a felicidade de poder tratá-lo em alguns dos melhores centros do mundo,” o empresário disse ao Brazil Journal. “Meu filho passou por dois ciclos de terapias e hoje, aos 16 anos, leva uma vida praticamente normal.”

Nas conversas com os médicos americanos, Fernando descobriu que, por ser um tumor bastante raro, com relativamente poucos casos, o meduloblastoma não aparece entre as prioridades dos centros de pesquisa. Nos EUA, os fundos públicos e privados acabam sendo direcionados para os estudos de outros tipos de tumores. 

Fernando decidiu que era preciso fazer algo para reverter essa situação – e o caminho para isso era a filantropia.

Com a ajuda técnica do médico e pesquisador americano Roger Packer, vice-presidente do Center for Neuroscience and Behavioral Medicine e professor da Universidade George Washington, o empresário colocou de pé uma iniciativa internacional para liderar pesquisas cujo objetivo final é encontrar a cura para o meduloblastoma. 

Agora, a Medulloblastoma Initiative, que nasceu em junho de 2021 a partir de uma doação inicial de US$ 3 milhões de Fernando e sua família, já começa a colher resultados. Em junho, serão feitos os primeiros testes clínicos de uma nova terapia. 

A iniciativa fez mexer o ponteiro: destravou novas pesquisas e atraiu doadores. “Nunca imaginei que pudesse ter um impacto tão grande,” diz Fernando. 

A partir desse pontapé, estreitou-se a colaboração entre 11 laboratórios de pesquisas nos EUA, Canadá e Alemanha. 

O avanço das pesquisas e a realização dos testes, entretanto, requer um volume maior de recursos. Até o momento, a iniciativa recebeu contribuições que se aproximam de US$ 8 milhões; a meta é alcançar US$ 15 milhões nos próximos meses. 

Packer, especialista em neuro-oncologia, lidera o consórcio de cientistas, que recentemente identificou o provável mecanismo de desenvolvimento do tumor. 

De acordo com o estudo, publicado na Nature, o meduloblastoma existe em “forma pré-maligna” quando o bebê nasce. Ele se desenvolve durante a gravidez, antes do que se imaginava. A descoberta é uma janela para antecipar o combate ao tumor e preveni-lo. 

Uma consequência indesejável do protocolo de tratamento usado hoje é que a radioterapia e a químio, feitas de maneira não-seletiva, destroem não apenas as células cancerosas mas também células-tronco essenciais para o desenvolvimento cognitivo das crianças.  

A iniciativa pensa em estruturar um centro de pesquisas no Brasil para participar desse consórcio internacional. 

Fernando, que há duas décadas venceu um condrossarcoma – um tumor ósseo maligno na região pélvica –, diz que vai se dedicar pelo resto da vida ao trabalho filantrópico de combate ao câncer infantil. 

Fernando, cuja família era dona da incorporadora Goldsztein – adquirida pela Cyrela em 2010 – busca inspiração num ensinamento do Talmud: “Aquele que salva uma vida salva o mundo.”

“Cada um com seu bolso, cada um com sua possibilidade, precisa fazer algo,” disse ele. “Escolha uma causa, uma instituição séria, mas não espere para doar daqui a 30 anos. Uma pequena parcela de seu patrimônio pode fazer uma grande diferença na vida de outras pessoas.”

 

DOE PARA AJUDAR O FILHO DE ALGUÉM: The Medulloblastoma Initiative

The post ‘Pelos filhos dos outros’. Buscando a cura para o câncer cerebral infantil appeared first on Brazil Journal.





Source link

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Main Menu