O dividendo monstro da Petrobras

O dividendo monstro da Petrobras


A Petrobras reportou a mãe de todos os dividendos do mercado de capitais brasileiro – um monstro de R$ 88 bi, ou R$ 6,73 por ação – num momento em que a companhia se beneficia do preço do petróleo nas alturas e se torna alvo do populismo eleitoral de ambos os lados do espectro.

O dividendo gigante vazou no meio da tarde, antes mesmo da companhia reportar o resultado do segundo tri depois do fechamento do mercado.

A Petrobras continuou apresentando melhoria operacional e   entregou resultados solidamente acima do que os analistas esperavam.

O EBITDA recorrente ficou em R$ 99,3 bi no segundo tri, uma alta de 65% em relação ao 2T21; e o fluxo de caixa livre aumentou 30,5% para R$ 63,4 bi. 

O lucro líquido ajustado cresceu 27% no trimestre para R$ 54,3 bi. 

A Petrobras disse que os números refletem “a valorização do petróleo Brent no período, o melhor resultado com a venda de derivados e gás natural e menores volumes de importações de GNL”.  A empresa também reportou um ganho de capital de R$ 14,2 bilhões referente ao acordo de coparticipação nos campos de Sépia e Atapu. 

Os analistas do Bradesco BBI disseram que o EBITDA veio 10% acima do esperado pelo banco, e destacaram que a alavancagem continuou em queda livre, com a dívida bruta em US$ 53 bi “abaixo do piso da faixa-alvo de US$ 55 bi da companhia.”

“O dividendo continua inacreditável, impactando pouco a alavancagem,” disse um gestor. 

O dividendo humilhou as estimativas dos bancos: o Itaú falava em R$ 4,40 por ação; e o Credit Suisse estimava um valor entre US$ 10 bi e US$ 14 bi – em dólares, o valor ficou em cerca de US$ 16,8 bi. 

Uma fonte próxima à Petrobras disse que o resultado também reflete o fim da fase de “arrumação da casa” que começou em 2015-16, quando a companhia chegou a ter a maior dívida corporativa do mundo.

Após a Lava Jato, a Petrobras aprimorou sua governança, vendeu ativos que não faziam sentido, cortou custos e reduziu seu endividamento para níveis racionais. 

Hoje a empresa investe cerca de US$ 10 bi por an, e todo o caixa além desse investimento pode retornar aos acionistas. 

Mas no debate político – sobre quem deveria se apropriar da bonança – frequentemente se esquece que a indústria de  petróleo é cíclica. “Hoje o cenário está muito favorável, mas na pandemia o petróleo chegou a ter preço negativo,” disse. “Tem muitos anos que as petroleiras perdem dinheiro, e depois tem fases em que ganham.”

O dividend yield ficou em 20,8% no trimestre – uma função do valor de mercado de R$ 443 bilhões, que a maioria do sellside afirma estar deprimido em função do risco político, já que o atual governo troca o CEO com a facilidade de um tweet – e o favorito nas pesquisas fala em “abrasileirar” o preço da gasolina.

Mas não é só o acionista privado que ganha com uma Petrobras saudável.

Em seu release de resultados, a empresa notou que, além dos dividendos anunciados, recolheu R$ 77 bilhões em tributos e participações governamentais apenas no segundo trimestre –   no ano já são cerca de R$ 147 bilhões, um aumento de 92% na comparação com o primeiro semestre do ano passado. 

Os dividendos serão pagos em duas parcelas de R$ 3,36 por ação; uma em 31 de agosto e outra em 20 de setembro. 




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