O ‘carretão’ do câncer de mama

O ‘carretão’ do câncer de mama


Desde março, uma carreta Mercedes de 3 eixos e 18 pneus está cruzando o Norte do Brasil — percorrendo estradas de terra esburacadas, navegando rios dentro de Balsas e adentrando regiões inóspitas do ‘Brasil profundo’.

Começando pela cidade de Palmas, no Tocantins, a carreta passou por São Luiz, Belém, Santarém e neste momento está estacionada em Manaus. O último destino: Cuiabá, no final deste mês.

A carga é valiosa: um mamógrafo, uma máquina de ultrassom e a esperança de milhares de mulheres — que hoje sofrem para ter acesso a um exame essencial para a prevenção de um dos cânceres que mais mata mulheres no Brasil.

Desde que começou sua jornada, o ‘carretão do câncer de mama’ já fez mais de 3.000 mamografias, 256 ultrassons e cerca de 30 biópsias — atendendo inclusive mulheres indígenas que nunca haviam feito uma mamografia na vida.

“Sempre se falou muito que na região Norte não existem casos de câncer. Não existe porque não é diagnosticado,” Andrea Pereira, a fundadora e presidenta da ONG Americas Amigas, responsável pelo projeto, disse ao Brazil Journal. “Esse é o primeiro projeto que estamos indo tão longe assim, atendendo mulheres que estavam esquecidas.”

Esta é a primeira edição do chamado Projeto Amazônia, que está sendo patrocinado pelo laboratório japonês Daiichi Sankyo e é focado apenas na região Norte.

Mas a carreta já é rodada.

Comprada em 2015, ela foi parte de uma campanha financiada pela GOL para ajudar o Hospital Santa Casa de Patrocínio, na cidade de mesmo nome em Minas Gerais, onde nasceu Nenê Constantino, pai de Constantino de Oliveira Júnior.

A carreta já rodou por várias cidades ao redor de Patrocínio, já veio para São Paulo e, mais recentemente, participou do ‘Voluntários do Sertão’ — um projeto do Fleury para levar exames a áreas carentes do Estado.

Mas o maior desafio, de longe, foi a Amazônia.

“Sabíamos que íamos enfrentar variáveis difíceis mas que tínhamos que resolver tudo antes da situação piorar,” disse Andrea. “Quando ela tava na Balsa indo de Belém para Santarém, por exemplo, o controle de umidade disparou e tivemos que chamar um técnico correndo.”

(A carreta precisa de um controle de umidade muito grande por conta dos equipamentos que está levando, principalmente o mamógrafo, muito sensível a esse tipo de situação).

No final, tudo foi resolvido e a carreta seguiu seu caminho.

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O Projeto Amazônia faz parte de um trabalho mais amplo da Americas Amigas, fundada em 2009 por Andrea e Barbara Sobel, a mulher do ex-embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel.

A ONG já comprou 24 mamógrafos para hospitais de Norte a Sul do País; criou cursos de reciclagem para técnicos e médicos aperfeiçoarem o uso do equipamento; e negociou com redes privadas como a Dasa exames de mamografia gratuitos para pessoas carentes de todo o Brasil.

A causa é ainda mais nobre num País com um déficit gigantesco de mamógrafos.

Cerca de 80% das cidades brasileiras não tem um mamógrafo, e muitas das que tem estão com o equipamento velho ou quebrado.

O Brasil registra mais de 60 mil novos casos de câncer de mama por ano, o segundo câncer que mais mata mulheres.





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