Movida sofre com desconto para Localiza; controlador aumenta posição

Movida sofre com desconto para Localiza; controlador aumenta posição


Fazendo um julgamento de valor sobre uma de suas três empresas listadas, a Simpar aumentou sua participação na Movida de 63% para 65%.

A holding da família Simões – que também controla a JSL e a Vamos – aumentou sua participação na Movida por meio de um termo de 7,4 milhões de ações nos últimos dias.

Denys Marc Ferrez, CFO e diretor de RI da Simpar, disse ao Brazil Journal que a ação da Movida está muito descontada na bolsa por ser uma small cap.

“Olhando o operacional da companhia, a geração de caixa e o alto crescimento, o desconto é exagerado e não faz sentido”, disse Denys. “A Movida está incrementando os serviços e aumentando a qualidade do atendimento ao cliente, que está percebendo isso cada vez mais como um diferencial.”

A Movida fechou o dia valendo R$ 6,2 bilhões na Bolsa, negociando a 6,5x o lucro para este ano. Já a Localiza vale R$ 44 bilhões e negocia a 22x o lucro para 2022.

Boa parte desse desconto reflete a percepção de risco dos investidores em relação à estratégia agressiva de crescimento da Movida nos últimos dois anos, analistas e gestores disseram ao Brazil Journal.

Na pandemia, o preço dos carros disparou. Enquanto a Localiza foi mais cautelosa, comprou menos carros e focou nos modelos mais básicos, a Movida investiu num mix mais premium e pagou mais caro.

Por conta do cenário macro atual, o mercado enxerga hoje um risco grande de a Movida não conseguir rentabilizar essa base de ativos construída recentemente. Para isso, ela pode acabar tendo que cobrar tarifas mais altas que a Localiza.

Num cenário de aumento de juros, inflação e renda menor da população, gestores julgam que a Localiza poderá baixar preços, sacrificar um pouco as margens e atrapalhar a vida da Movida.

As empresas não abrem os números, mas os analistas estimam, a partir dos dados da frota de ‘rent a car’ (RAC), que a fatia da pessoa física no negócio da Movida oscile perto dos 50%, enquanto na Localiza, o percentual é menor, perto de 30%.

“O mercado está achando que o pricing power da Localiza depois da fusão com a Unidas vai ser múltiplas vezes maior que o da Movida”, disse um gestor.

Denys disse que a Movida tem uma frota com idade média de nove meses, mais nova que a da Localiza, e que esse é um diferencial para atrair os clientes.

O executivo também disse que, com a compra da CS Frotas, a empresa aumentou o share em contratos corporativos para 52% – esses contratos são de prazo mais longo e com preços mais estáveis.

Segundo o CFO, a compra de ações da Movida só não aconteceu antes porque o grupo passou os últimos meses focado em M&As, e a Simpar nem sempre estava desimpedida para fazer essas compras.

“Agora houve a autorização do conselho”, disse.

Segundo Denys, a empresa está confiante no crescimento do setor e monitora a evolução do cenário macro com atenção.





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