Em transação histórica, Brookfield vende, colombianos compram – e dobram aposta na transmissão

Em transação histórica, Brookfield vende, colombianos compram – e dobram aposta na transmissão


Na maior transação envolvendo ativos de transmissão de energia na história do País, a Argo Energia – controlada por estatais colombianas – comprou metade do portfólio da Brookfield por € 815 milhões, ou R$ 4,3 bilhões.

O investimento chega a R$ 7,4 bilhões se a dívida do ativo for incluída.

Os ativos – que faziam parte da Quantum, uma empresa controlada por um fundo de private equity da Brookfield – compreendem 4.125 km de linhas em operação, todas no Nordeste, e foram desenvolvidos pela Brookfield começando por volta de 2016.

O processo competitivo – que começou há cerca de cinco meses – atraiu 10 players originalmente; três na reta final.

Fundada pelo Pátria em 2016, a Argo passou a ter controle colombiano há dois anos, quando o Grupo Energía de Bogotá (GEB) – controlada pela prefeitura da capital colombiana – e a também estatal Red Eléctrica de España pagaram R$ 3,5 bi (equity) e R$ 6 bi de enterprise value pela Argo, passando a dividir o controle 50-50.  

Na época, aquele foi o maior negócio da história do setor, um recorde que se renova agora.

Na transação – anunciada sábado – a própria Argo foi a principal compradora, ficando com 62,5% do ativo, enquanto o GED ficou com outros 37,50%, demonstrando mais apetite que os espanhóis.

Com a transação, a Argo passa a ser a quarta maior empresa de transmissão do País – depois de Eletrobras, China State Grid e TAESA – e maior que a ISA-CTEEP e a Alupar.

A transação ressalta a resiliência do setor de transmissão, onde cada venda tem atraído múltiplos compradores – e estes demonstram baixa sensibilidade ao risco eleitoral. Curiosamente, “é um não-assunto neste setor,” um banqueiro envolvido na transação disse ao Brazil Journal.

A venda vem num momento em que a principal variável na formação de preço destes ativos – a taxa de juros de longo prazo, medida pela NTN-B 2050 – paga inflação + 6% ao ano, comparado a inflação + 4% em meados do ano passado.

“Esse setor tem sido bastante preservado. Existe interesse e vontade de fazer [negócios], e o número de participantes continua grande,” disse este banker.

Uma fonte próxima à Brookfield disse que os concorrentes na reta final eram o CDPQ (o fundo de pensão de Québec) e os chineses da Southern Grid, que ainda não tem operação no Brasil.

Depois da transação, a Brookfield ainda fica com um portfólio do mesmo tamanho: cerca de 4.000 km de linhas em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, ainda em construção.

Itaú BBA e BTG assessoraram a Brookfield.

Citi assessorou a Redeia, o novo nome da Red Eléctrica.

Bradesco BBI assessorou o GEB.

Tozzini foi o legal counsel dos compradores, e o Pinheiro Neto assessorou o vendedor.






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