“Deve ser difícil ser presidente da Cielo”: CEO deixa comando após 15 meses

“Deve ser difícil ser presidente da Cielo”: CEO deixa comando após 15 meses


Após divulgar resultados acima das expectativas do mercado, a Cielo anunciou que vai trocar novamente o seu CEO. Sai Gustavo Sousa, que assumiu a companhia em maio de 2021, e entra Renata Daltro, até agora a vice-presidente comercial de grandes contas, como CEO interina.

A decisão ocorre após a empresa divulgar números acima das expectativas dos investidores para o segundo trimestre – e ser a maior alta do Ibovespa em 2022, com 101% de valorização desde janeiro. O lucro líquido recorrente, por exemplo, saltou 112,5% para R$ 383,4 milhões, quase 30% acima das projeções do mercado.

“A empresa apresentou um resultado robusto com melhora em todas as linhas operacionais. Mas essa saída e da forma como foi comunicada traz muita incerteza em um momento positivo”, diz um estrategista de ações.

Segundo fontes, Sousa já tem um novo destino profissional e comunicou sua saída ao conselho nos últimos dias, mas a decisão do executivo surpreendeu parte do board. Renata, responsável pelas grandes contas, é bem vista dado que sua área contribuiu bastante com os últimos resultados da empresa.

Especula-se no mercado que a saída pode ser mais um capítulo da disputa do Banco do Brasil com o Bradesco, os controladores da Cielo. Nos últimos anos, o BB estaria focado na lucratividade da empresa, enquanto o Bradesco não quer que a Cielo perca mais participação de mercado.

Em maio de 2021, também houve um componente político. O então presidente Paulo Caffarelli renunciou ao cargo após pressão da estatal que ele mesmo presidiu entre 2016 e 2018. O motivo seria a ligação anterior de Caffarelli com governos do PT – ele foi secretário executivo do Ministério da Fazenda em 2014.

“Deve ser muito difícil ser presidente da Cielo, já que tem que trabalhar com diretores indicados por dois acionistas com pensamentos diferentes. O último que conseguiu isso foi o Rômulo Dias, pois era conhecido como ‘Rômulo compressor’,” diz um gestor.

Rômulo ficou oito anos no cargo. Depois dele vieram Eduardo Gouveia, Caffarelli e Sousa – uma troca a cada 21 meses, em média. Também oriundo do BB, Sousa foi o responsável por continuar tocando o turnaround da empresa – que incluiu um processo de desinvestimentos.

Este processo culminou com a venda recente da MerchantE Solutions, empresa americana de pagamentos, por US$ 290 milhões. A Cielo havia pago US$ 670 milhões por ela em 2012. “Na verdade, foi um prejuízo enorme levando em conta o processo completamente falho de internacionalização,” disse uma fonte.

De qualquer forma, a empresa vinha conseguindo recuperar parte da lucratividade com o avanço de negócios como a antecipação dos recebíveis – somente no segundo trimestre foram R$ 29 bilhões em volume antecipado, um crescimento de 58% na comparação anual.

Para completar, a Cielo está em um movimento de aumento das taxas. No segundo trimestre o yield da receita foi de 0,71%, 0,4 ponto percentual acima do mesmo período de 2021. Resultado: a margem líquida cresceu 3,3 pontos ano contra ano e 6,8 pontos na comparação trimestral.

Mesmo com as incertezas causadas pela troca na presidência, analistas estão com uma visão positiva para as ações da Cielo – em grande parte pela ação ter implodido nos últimos anos. 

A ação da Cielo abriu a quarta-feira negociando em alta de quase 5%, a R$ 4,64.




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