Despesa do Inter dispara e inadimplência desaponta, ofuscando avanço operacional

Despesa do Inter dispara e inadimplência desaponta, ofuscando avanço operacional


O Inter mostrou uma melhora na receita no quarto trimestre — mas uma deterioração de sua carteira de crédito com o aumento da inadimplência e um bottom line ainda pressionado pelo crescimento das despesas.

O BDR do banco dos Menin cai quase 5% no início da tarde. O banco vale US$ 680 milhões na Nasdaq e agora negocia a 0,5x seu valor patrimonial.

Na parte operacional, o Inter não tem do que reclamar. O banco viu ganhos significativos em depósitos, número de clientes (que bateu 25 milhões) e receita.

A receita bruta subiu 52% para R$ 1,7 bilhão, e o Inter aumentou sua carteira de crédito em 40% para R$ 24,5 bilhões, com destaque para as linhas de empréstimos consignados e cartão de crédito.

O grande ponto negativo foi o aumento das despesas. O Inter viu sua despesa com pessoal decolar 36% na comparação com o terceiro tri e mais de 60% na comparação anual, para R$ 239 milhões.

Esse aumento – que teve a ver basicamente com os dissídios da categoria e a aquisição da USEND – levou a um aumento no opex total de 13% e um prejuízo antes dos impostos (EBT) de R$ 20 milhões. 

Mas como teve um ganho fiscal de R$ 49 milhões, o Inter conseguiu reportar um lucro líquido de R$ 29 milhões, e um ROE de 1,6%. 

O ganho fiscal veio basicamente da ativação de prejuízos acumulados, o que já vem sendo feito pelo banco há vários trimestres. Para este ano, o Inter ainda deve ter prejuízos para ativar, em grande parte por conta dos prejuízos da USEND, a fintech americana que comprou em 2021.

“Eles já estavam com uma base ruim de rentabilidade, e a expectativa do mercado era que as despesas ficassem paradas para melhorar o ROE. Mas as despesas não só pioraram, como pioraram mais de 30%,” disse um analista do buyside. “Pode ser que eles revertam, mas ninguém no mercado tá com muita paciência.”

Na call de resultados, a CFO Helena Caldeira explicou que a alta das despesas foi impactada pela aquisição da USEND, que foi feita com um pagamento upfront e um pagamento em três anos para alguns executivos-chave da companhia americana. Pelo IFRS, esse pagamento tem que entrar como despesa de pessoal, gerando os impactos nessa linha.

Em 2022, a CFO disse que o impacto total disso foi de R$ 63 milhões, concentrado no quarto tri. Em 2023 e 2024, o impacto será de R$ 33 milhões e R$ 19 milhões, respectivamente, e com esses valores espaçados ao longo do ano. 

No quarto tri, o Inter também teve uma piora na inadimplência, apesar de ter indicado no trimestre anterior que os indicadores deveriam se manter flat. O NPL de 15-90 dias de fato se manteve estável em 4,5%, mas o NPL de mais de 90 piorou 0,3 ponto porcentual para 4,1%, acima das projeções do sellside.

O vp de finanças, Alexandre Riccio, disse aos analistas que a estabilidade do NPL de 15-90 dias teve a ver com as safras mais recentes de originação, particularmente em cartão de crédito, que estão vindo melhores, já que o banco reduziu as aprovações. 

Já o NPL acima de 90 dias teve uma leve piora “mas em linha com o mercado,” disse ele. “O impacto veio principalmente das safras mais antigas, do final de 2021 e começo de 2022.”

Olhando para frente, o executivo disse que o NPL ainda pode piorar um pouco no primeiro tri, mas deve se estabilizar depois disso.  

No quarto tri, o Inter teve uma melhora importante na margem financeira líquida – a diferença entre seu custo de funding e os juros que o banco cobra em seus empréstimos – que ficou em R$ 762 milhões. Esse indicador subiu 26% na comparação com o terceiro tri e 13% ano contra ano, mas ainda assim ficou 12% abaixo das expectativas do BTG.

“Na call do terceiro trimestre, o management tinha indicado que os impactos da deflação na mesa de tesouraria tinham prejudicado o NII em R$ 100 milhões no período. No quarto tri, sem esse impacto e com os efeitos da reprecificação do portfólio e de um maior volume de crédito, o NII ‘só’ cresceu R$ 100 milhões,” escreveu Eduardo Rosman, do BTG. “Portanto, deve haver outros problemas pressionando o NII.”

O Itaú BBA notou que as receitas com serviços (de R$ 274 milhões) vieram melhor que o esperado, com uma alta de 10% na comparação com o tri anterior. (O Itaú projetava esta receita em R$ 226 milhões.)

O analista Pedro Leduc disse que o intercâmbio dos cartões veio em linha com as expectativas, mas que a receita com o floating avançou 12%, impulsionada por um crescimento dos depósitos dos clientes. A receita com o Inter Shop avançou 23% contra o terceiro tri, com o take rate aumentando de 5,1% para 5,9%. Já a receita de seguros avançou 12% no período.

Na call com analistas, o CEO João Vitor Menin disse que o foco do Inter continua sendo aliar crescimento sustentável com rentabilidade. O banco planeja chegar a um ROE de 30% em 2027, acima dos bancões.

Como o Inter cresce ativos mas não gera lucro, o banco continua a consumir capital. O índice Basiléia declinou 6 pontos percentuais no tri, para 24%. “O valor ainda é alto, mas ele está ficando mais alavancado. Se ele não aumentar logo a rentabilidade, daqui a um ano essa Basileia vai estar muito menor,” disse um analista. 

Nos últimos 12 meses, a Basileia do Inter caiu 20 pontos percentuais.




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