Decisão da CVM pode custar R$ 1,2 bi à Localiza

Decisão da CVM pode custar R$ 1,2 bi à Localiza


A CVM decidiu hoje que as gestoras Atmos, Dynamo, Sharp, Helius, Verde e Vinland têm direito a um tratamento isonômico na fusão Localiza-Unidas, o que as permitirá acessar uma linha de financiamento barato originalmente desenhada apenas para os acionistas da Unidas. 

O empréstimo está sendo concedido pela Localiza para ajudar os acionistas da Unidas a custear o pagamento do imposto sobre o ganho de capital da operação, estruturada como uma troca de ações.

O financiamento foi fixado em até 20% do valor total das ações de Localiza recebidas pelos acionistas da Unidas. A linha tem prazo de 5 anos e taxa de 3,5% ao ano e foi estruturada com o Banco XP. 

Quando a transação foi anunciada, em setembro de 2020, a Selic estava em 2% – o low histórico.  Como a taxa subiu muito de lá para cá, as gestoras – todas acionistas da Unidas – ficaram mais incentivadas a lutar pela isonomia de tratamento.

Segundo os documentos da transação, o financiamento seria concedido a “todos os acionistas da Unidas”.

A Localiza se recusava a estender o empréstimo às gestoras alegando que a lei proíbe fundos de investimento de contrair e efetuar empréstimos, “salvo em modalidade autorizada pela CVM”.

A decisão pode representar um gasto extra de mais de R$ 1,2 bi para a Localiza, segundo contas da própria empresa em seus argumentos à CVM.

A discussão é complexa, mas o colegiado da CVM entendeu que todos os acionistas deveriam ter o mesmo tratamento, segundo fontes ouvidas pelo Brazil Journal. 

A fusão – que robustece ainda mais a maior locadora de automóveis do País – foi aprovada pelos acionistas das duas empresas em novembro, mas só foi aprovada pelo Cade em no dia 22 de junho. 

Depois disso, Atmos, Dynamo, Sharp, Helius, Verde e Vinland tentaram acessar a linha, mas foram informadas pelos administradores de seus fundos que não poderiam fazer isso, já que a CVM veda a tomada de empréstimos por fundos. 

Por conta das características específicas da operação, as gestoras solicitaram à CVM a dispensa do cumprimento dessa regra, já que o financiamento foi uma das premissas econômicas da relação de troca da operação. Abrir mão disso – no entendimento das gestoras – traria uma perda patrimonial. 

Nas primeiras interações, a área técnica teria se mostrado favorável ao pleito, mas isso mudou depois que a Localiza procurou o regulador.  

A Localiza disse à CVM que, quando afirmou que o financiamento estaria disponível a todos os acionistas, estava subentendido que se referia a todos aqueles “elegíveis a tomar o empréstimo” – e este, segundo a empresa, nunca foi o caso dos fundos, que além de não poderem tomar empréstimos não pagam Imposto de Renda, o que seria a razão da existência da linha. 

Segundo a Localiza, se os fundos forem incluídos no acesso à linha, o financiamento subiria de R$ 800 milhões para R$ 2 bi, o que traria um “claro prejuízo” a seus acionistas.

Como os termos da transação prevêem que o empréstimo seja concedido 55 dias após a fusão ficar efetiva – o que aconteceu dia 1º de julho – a Localiza também disse que teria um prazo muito exíguo para conseguir esse funding adicional, e provavelmente teria que revisar os termos da estruturação do empréstimo. 

A Localiza também questionou o fato de os fundos só estarem tocando nesse tema agora, possivelmente atrás de um dinheiro barato: a linha tem taxa de 3,5% ao ano, enquanto a Selic está em 13,25%. Em suas alegações à CVM, a empresa disse que o financiamento não foi concebido como uma oportunidade de financiamento subsidiado aos acionistas da Unidas ou ainda como parte do “preço” da operação.

Já as gestoras alegaram que o financiamento foi uma das premissas para a relação de troca, e que os documentos da operação não dizem que o recurso tem que ser usado especificamente para o pagamento do imposto, ou que algum acionista estaria impedido de acessar a linha.  

Segundo as gestoras, o financiamento sempre foi subsidiado, pois as taxas de mercado à época eram de 6,5% ao ano. E, nos últimos meses, as duas empresas fizeram diversas alterações nos documentos da oferta – sem nunca mudar a taxa, apesar da disparada da Selic. 

A área técnica da CVM foi contra a concessão da dispensa aos fundos, acatando a argumentação da companhia, mas essa visão teve apoio apenas do diretor João Accioly.  

A dispensa foi concedida aos fundos com os votos do presidente Marcelo Barbosa e dos diretores Otto Lobo e Flávia Perlingeiro. A decisão se estende a todos os fundos que têm participação na companhia. 

Helius, Verde e Vinland trabalharam com Yazbek Advogados. 

Atmos, Dynamo e Sharp usaram o Trindade Advogados.

Não está claro se a Localiza usou uma firma externa.






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