Crescei e multiplicai-vos: as feiras de arte no pós-covid

Crescei e multiplicai-vos: as feiras de arte no pós-covid


Antes da pandemia parecia que havia uma grande feira de arte praticamente toda semana em algum lugar do mundo. Muitos acreditavam que esse calendário intenso nunca mais voltaria, e as vendas online se firmariam como o novo modus operandi.

Não está sendo bem assim.

A exemplo de outras cidades, São Paulo surpreendeu o mercado com três feiras de arte só no primeiro semestre deste ano – ArtSampa (março), SP-Arte (abril) e ARPA (junho). Detalhe: as três lideradas por mulheres.

Na próxima quarta-feira, a veterana SP-Arte inaugura sua 18ª edição no pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera. Pioneira e a maior do país, a feira reunirá 130 galerias de arte moderna, contemporânea e design. Como nos últimos anos, a SP-Arte agita a cidade com vários eventos duas semanas antes da abertura, na maratona de happenings no SP-Arte Weekend.

“A SP-Arte hoje é mais um festival do que uma feira, dada a sua amplitude,” Fernanda Feitosa, a fundadora da SP-Arte, disse ao Brazil Journal.

Este ano, Fernanda agregou ao seu time Tamara Perlman, a fundadora da P-Arte, uma feira de arte jovem que aconteceu (e deixou saudade) de 2011 a 2019.

Tamara traz uma ênfase em galerias jovens e artistas iniciantes, bem como uma busca por produções artísticas e galerias fora do eixo Rio-São Paulo.

Com esse objetivo, a feira deste ano terá um novo espaço chamado Radar – com curadoria de Felipe Molitor – para expor o trabalho de nove artistas sem representação comercial e cinco espaços autônomos (coletivos/ateliês de artistas ou grupos com causas específicas, como a Casa Chama).

Vale prestar atenção nas jovens e excelentes galerias Quadra (do Rio) e Verve (de São Paulo) e na promissora Tadáskía, da Sé Galeria (SP) e nos artistas internacionais da Mendes Wood (SP), especialmente Maaike Schoorel.

Como “o ser humano cultivado é feito de papel”, segundo Saramago, as editoras de livros de arte são paradas obrigatórias. A Act, de João Paulo Siqueira, lançará o livro “Onde Vive a Arte na América Latina”, fruto de uma pesquisa impecável, e a Family Editions, de Maria Lago, um livro primoroso do trabalho de Regina Parra (com uma edição em parceria com a ótima 55SP).

Mês passado, no próprio Ibirapuera, aconteceu na OCA a edição paulista da ArtRio – a ArtSampa – liderada por Brenda Valansi, que fez bonito na sua primeira edição fora de casa. Para junho, está sendo planejada por Camilla Barella e Cecilia Tanure (as cabeças criativas por trás do Viva Projects) a ARPA, no complexo Pacaembu, que tem despertado curiosidade do meio dado o track record inovador da dupla na área de eventos de arte – certamente veremos um formato diferente nascendo dali.

O custo de participação é alto: o aluguel de um stand, em geral na casa dos seis dígitos, soma-se ainda à logística complexa, o seguro das peças e o aumento do custo de pessoal – sem mencionar conseguir obras boas para expor. Nem todas dão conta.

A galeria carioca Silvia Cintra, por exemplo, é uma das poucas que participarão das três feiras paulistas. Juliana Cintra diz que foi uma oportunidade de fazer dois shows solo de importantes artistas (ArtSampa/Nelson Lerner e ARPA/Roberto Magalhães) e mostrar novas obras de seus representados na SP-Arte, onde vende muito.

É o que justifica todo o esforço. A maioria dos participantes vê um aumento significativo de seu faturamento, algo em torno de 30%, segundo a ABACT, a associação das galerias contemporâneas.

Nessa linha, a SP-Arte quer se consolidar como a principal feira da América do Sul, capturando o fluxo de países vizinhos. O idioma e o custo são os desafios – São Paulo é uma cidade cara e o imposto de importação proibitivo – mas, por outro lado, sua participação na cena cultural só aumenta e melhora, com museus e instituições artísticas comparáveis a qualquer metrópole desenvolvida.





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