BREAKING: Lucro da XP decepciona; empresa promete cortar despesas 

BREAKING: Lucro da XP decepciona; empresa promete cortar despesas 


A XP reportou um quarto tri significativamente abaixo do consenso, com queda na receita e um lucro líquido que decepcionou até os mais céticos.

No consolidado do ano, no entanto, a corretora de Guilherme Benchimol conseguiu entregar um bottom line estável — um lucro de R$ 3,6 bi — graças a um negócio cada vez mais diversificado em meio a um annus horribilis no mercado de equities.

O papel mergulha quase 10% em Nova York agora à noite, depois do resultado.

O lucro do quarto tri ficou em R$ 783 milhões, uma queda de 21% ano contra ano. O consenso dos analistas era um lucro de R$ 1 bilhão. Já a receita líquida veio em R$ 3,2 bilhões, 12% abaixo das projeções do sellside.

O take rate retrocedeu ao nível do 1Q 2022 – 1,22% – comparado a 1,32% no 3Q e 1,40% no 2Q, refletindo o ambiente mais difícil para o negócio.

Numa conversa com o Brazil Journal, o CFO Bruno Constantino exortou o mercado a olhar o filme em vez da foto.

“Quem pegar o quarto tri e anualizar vai errar big time o ano de 2023,” disse Bruno.

A frustração na receita do quarto tri teve a ver principalmente com duas linhas de negócios: a institucional, que engloba os serviços de mesa de operações e derivativos para gestoras, e a corporate and issuer services, basicamente operações de hedge para empresas.

Essas duas verticais – que haviam bombado no terceiro tri – responderam por 80% da queda da receita do quarto, segundo o CFO.

“No terceiro tri houve uma demanda antecipada grande por conta do processo eleitoral. Já sabíamos que no quarto tri teria uma queda, só não sabíamos a magnitude,” disse.

Segundo ele, outro fator que prejudicou o resultado foi a Copa do Mundo e o fato do trimestre ter tido menos dias úteis que o padrão histórico.

“O business de investimento é um business de interação humana: você precisa ter contato, conversar com os clientes… Quando tem um período em que essas interações ficam prejudicadas, isso impacta.”

No consolidado de 2022, a XP ainda conseguiu crescer sua receita em 10% para R$ 14 bilhões, com o lucro ficando flat ano contra ano.

Colocando em perspectiva histórica, Bruno disse que a XP sofreu muito mais em outros ciclos de aperto monetário. Entre 2013 e 2014, por exemplo, a Selic subiu 700 basis points em quatro meses, e o lucro da XP caiu 40%. “O nosso modelo era outro, éramos muito mais dependentes de equities,” disse o CFO.

Desta vez, “com todo esse cenário desafiador e com o juros subindo de 2% para 13,75% em um ano e meio, ainda assim conseguimos crescer a receita e manter o lucro estável.”

A XP espera que o lucro já volte a crescer este ano. A empresa deu um guidance de R$ 3,8 bilhões a R$ 4,4 bilhões, uma média de R$ 1 bi por trimestre no meio da faixa.

Parte relevante dessa alta deve vir do corte de custos. A XP disse que espera reduzir seu SG&A este ano para entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões, em comparação aos R$ 5,6 bilhões de 2022. Este guidance é substancialmente abaixo do consenso de 13 analistas, que até agora estimavam um SG&A de R$ 6,2 bilhões para este ano.

A variação na estimativa tem a ver com os bônus. Se a empresa performar bem, o SG&A pode chegar ao topo do range. Se repetir o crescimento de 10% deste ano, ficará no bottom, disse Bruno.

A XP está pagando bônus de R$ 1,8 bilhão referentes a 2022.

Sobre o número de demissões – um tópico frequente de conversas na Faria Lima – Bruno disse que a métrica é misleading. “No terceiro tri, por exemplo, crescemos o headcount, mas foi muito com a contratação de estagiários, jovens desenvolvedores. O que interessa é o SG&A, por isso estamos dando esse guidance.”

Segundo ele, a empresa está “ajustando os excessos que cometeu por crescer muito rápido,” um movimento que inclui unificar as lideranças de certas áreas, cortando camadas do management.

A XP fechou 2022 com 6.928 funcionários. Em janeiro, o número já havia caído para 6.549, uma queda de 5,5%.

“Nosso negócio tem uma alavancagem operacional muito alta. E ela vai ficar ainda mais alta com esses cortes de custos,” disse Bruno. “No momento em que o ciclo virar e voltarmos a ter taxa de juros abaixo de dois dígitos, a alavancagem operacional do nosso negócio, com essa nova estrutura de custos, vai fazer preço. Mas isso não vai ficar claro já nos próximos trimestres.”

Bruno disse que o primeiro tri ainda será fraco, em parte como resultado da Americanas e de condições ruins do mercado de capitais. “O mercado está disfuncional, mas não vai ficar disfuncional o ano todo.”

O resultado vem dias depois que um email de Benchimol cobrando maior produtividade dos agentes autônomos viralizou na Faria Lima. Bruno disse que “o que chama a atenção é a dispersão na produtividade entre os AAIs, e o que o Guilherme sempre fez – e continua fazendo – é dizer, ‘você pode fazer mais, e eu sei que você pode.’”

A ação da XP fechou o dia a US$ 15,90, perto da mínima histórica, com a companhia valendo US$ 8,88 bilhões na Nasdaq.






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