A ‘nova Miami’ do latinos? Não, Madri está muito melhor

A ‘nova Miami’ do latinos? Não, Madri está muito melhor



MADRI – Classuda e tradicional, a capital espanhola – que sempre atraiu menos visitantes que Barcelona – está mais jovem e vibrante do que nunca.

Desde 2008, o governo regional de Madri cria incentivos (como golden visas, entre outros benefícios) para atrair capital para a cidade. Com a instabilidade política na América Latina crescendo, muitos brasileiros e nossos vizinhos acharam o ambiente ideal para remeter recursos e investir em novos negócios.

A Espanha tem 17 regiões administrativas com distintas formas de autonomia fiscal, e Madri é a que tem a alíquota mais baixa do país. Quatro meses atrás, o primeiro-ministro instituiu um imposto sobre fortunas acima de € 3 milhões e está em guerra com o governo de Madri, que questiona o tributo na Corte Suprema. Vivendo seu ápice, a cidade não quer que a insegurança jurídico-tributária afaste os investidores que têm renovado a cidade.

Os anos de estímulos trouxeram resultado: Madri está ainda mais encantadora com novos hotéis (o Rosewood Villa Magna acabou de abrir, financiado por um grupo mexicano), restaurantes, museus e atrações culturais – como a feira de arte ArcoMadrid, que aconteceu semana passada.

Com mais de 211 galerias de fora da Espanha, esta edição quebrou recorde de confirmações internacionais, e seu programa VIP sofreu overbooking.

Com muito mais estrangeiros residindo aqui, as galerias estrangeiras, na maioria latino-americanas, começaram a abrir espaços na cidade. “Madrid é a nova Miami para a elite argentina, venezuelana e colombiana,” repete-se com frequência depois de uma matéria do The New York Times sobre o assunto.

Felipe Melo, da consultoria Art_Ahead, que trouxe clientes para a feira, disse que esta Arco marcou “um ano especial para a feira e também para a arte brasileira em Madrid. A presença de grandes galerias internacionais deu mais força para uma feira que já era muito boa comercialmente.”

A Arco atraiu colecionadores internacionais como Laurent Dumas, do grupo imobiliário Emerige – que abrirá um museu particular em Paris em 2025 – e a mecenas italiana Patrizia Re Rebaudengo, cuja fundação de arte existe há 20 anos em Turim e abriu uma filial madrilenha em 2018.

A exposição organizada por esta Fundación Sandretto Re Rebaudengo Madrid foi o talk of the town.

Resgatando um lugar histórico (e pouco visitado pelos madrilenhos), a biblioteca bicentenária Ateneo apresenta pela primeira vez uma exposição de arte.

São 28 telas do artista brasileiro Lucas Arruda que retratam vegetações típicas da Mata Atlântica, sob curadoria do suíço Hans Ulrich Obrist (o atual curador da Serpentine, de Londres), instaladas entre livros dos séculos 16 a 19.

Quebrando o padrão expositivo do cubo branco, as obras estão dentro de caixas de vidro, apoiadas sobre as mesas de leitura e ao lado de livros de botânica que Arruda levou do Brasil. Para o artista e o curador, florestas e bibliotecas têm muitas semelhanças: são guardiãs de conhecimento, riquezas e mistérios.

As obras de Arruda também podem ser vistas na Bourse du Commerce em Paris, e integram acervos de grandes museus como Pompidou, Tate, Guggenheim e MASP, entre outros. O artista é representado desde o começo pela Mendes Wood DM e mais recentemente pela David Zwirner, mas dada a pouca produção tem uma longa fila de espera.

Além de Arruda, o Brasil chama atenção em outras duas mostras muito elogiadas aqui na capital espanhola.

O carioca Maxwell Alexandre, no centro cultural La Casa Encendida, faz sua primeira mostra individual na Espanha, Nuevo Poder: pasabilidad, em cartaz até 16 de abril. O artista criou 15 novos trabalhos que discutem a comunidade preta dentro de galerias, museus e fundações, despertando reflexões importantes.

Uma parte da coleção do casal Susana Leirner e Ricardo Steinbruch está em exposição no museu Reina Sofía. A coleção vem sendo construída há muitos anos com cuidado e coerência (Susana vem de uma família muito ligada às artes, seu tio era o colecionador Adolfo Leirner e o avô materno foi um dos fundadores da Bienal de São Paulo).

As 100 obras que compõem o Um Ato de Ver representam 10% da coleção, que é uma das mais importantes do Brasil, e o aplauso da crítica foi tanto que o encerramento foi adiado de março para 2 de novembro.

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